quarta-feira, 30 de março de 2016

UM DEDO DE PROSA; PRA FALAR DE SAUDADE!



Quando olho pra este fogão de lenha, muitas recordações invade o meu coração. Vivi até a  minha  saudosa adolescência livre e solto de peito aberto à  correr pelo campo, desfrutar do ar puro da mata que existia bem próximo da minha casa.  Nadar no rio,  jogar futebol com os amigos depois de andar 6 km pra ir, e 6 pra voltar até a escola.  Tínhamos energia de sobra para subir nas grandes mangueiras, nos laranjais..... para saborear a mais bonita fruta que sempre fica no galho mais alto. Mas, olhando para essa imagem acima , sinto grande saudade da minha mãe, que há muitos anos nos deixou. Ela pilotava  um fogão como esse.
 Quem nunca teve essa experiência e, nunca comeu comida feita num fogão como esse, não sabe realmente o verdadeiro sabor de uma boa comida, feita principalmente numa panela de ferro. Primeiramente; porque nesse tempo, os alimentos eram plantados e colhidos sem o uso de agrotóxicos.  As verduras, os legumes, as frutas, o arroz, feijão, batata..........e, tudo o mais; eram frescos, e saudáveis.
 Minha mãe Maria, era uma exímia cozinheira, de predicados inquestionáveis . Muito embora, operando com grandes limitações de equipamentos naturais daquele tempo. O sabor de seus pratos, ainda os guardo como se fosse ontem. Lembro-me que sempre mantinha um bule de café no fogão. Café colhido por nós, torrado e moído com o segredinho da D. Maria.  Ficava cheiroso, forte de sabor exclusivo, diferenciado e, que misturado com leite que meu pai tirava das vacas todos os dias de manhã, tinha um sabor completamente diferente dos que hoje tomamos. Não era desnatado, não tinha adição de conservantes, porque era tirado manualmente  da vaca. Era puro, e forte . Todos os dias de manhã meu pai fazia uma leitura bíblica de um Salmo, orávamos o Pai nosso e, então,  sentávamos  numa mesa próximo do fogão, para tomar a primeira refeição do dia, antes de sair para os afazeres  diário . Um bom pedaço de queijo  "meia cura" que fazíamos, café com leite, pão caseiro, rosquinha, batata assada....e, isso pra não falar  da paçoca que meu pai fazia vez por outra, socando o amendoim torrado num pilão, da garapa de cana da velha engenhoca. Ah... que saudade dessa simplicidade de vida, sem medo, sem correria, sem competição, sem atropelos.  Naquele tempo não existia drogas, não tinha ladrão, não tinha assaltante, sequestrador, assassino..... e, outras violências costumeiras da grande cidade. Ali, podia-se dormir de portas abertas, porque todos que moravam ali eram honestos trabalhadores como nós. E, assim viver ali, nunca imaginei que a despeito dos (prós e dos contra) estava gozando da maior conquista que um ser humano almeja ter na vida, que é  "Paz". A  noite me lembro, que sentava  fora de casa para contemplar a beleza impar da criação de Deus; o espetáculo emocionante de um incrível, e enigmático céu estrelado, que se mostrava vibrante, sem nada que empanasse as maravilhas do seu resplendor.   Vez por outra, em noites enluaradas ver o revoar dos pirilampos, as corujas em busca de alimentos, o cantar da aritágua na mata, os curiangos e a sinfonia incrível do coral de  rãs, sapos e pererecas a cantar no banhado. Não existe sonífero mais poderoso do que dormir embalado por este incrível musical.
  Bem, eu acho que sou um incorrigível saudosista, e então, deixa eu parar por aqui .
 Se você também alguma vez viveu essa experiencia, sabe exatamente do que eu estou falando. Então,  dá um alô ai O.K!  Porque não existe nada mais gostoso do que a tranquilidade, o sossego de viver no conchego da natureza, na simplicidade do campo. Pelo menos, foi pra mim  naquele tempo!

Fotos ilustrativas de recordada vivência!













         









                                                                                                                                 
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Lavoura de milho                                                 deliciosas pamonhas

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 curau com canela                                                                  bolo de milho

As delicias da roça e muito   mais que, naquele tempo nós, lá tínhamos!

Enéas Cândido de Lara

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