Manhã de raiar chuvosa,
Da relva, úmida e sorridente
Cristalinas gotas como diamante
Brilhavam aos olhos da gente.
No paraíso das selvas
Como maestro a escutar,
O harmonioso conjunto
Dos pássaros a cantar.
Como nasceste livre
Dotados de harmonia
Enfeite da natureza,
Dos jardins a alegria.
E no deleite do embalo,
Do musical mais perfeito,
Foi no repente de um estalo
Que o interlúdio foi feito.
Não...não que parasse a orquestra
Dos livres a regozijar
Mais que a mais cara maestria,
Num grito, como em festa...
Contagiante se pôs a cantar.
Detido pela euforia
Do olhar, o perdido brilho...
Da pálpebra umedecida
Eu acompanhei o estribilho.
E vi que em cada falsete
Do desespero cantar,
Era protesto lembrete
Que a prisioneira inocente,
Falava em seu linguajar.
Não...não era canto...
Era copioso pranto,
Da pureza a derramar
Era por entre a grade,
Que a relva sua cidade
Somente podia olhar.
Da prisão em seu exílio
Talvez olhasse seu
filho...
E na ânsia de abraçar,
Gritasse com eloquência,
Que tão forte insistência...
Eu, parei pra ti olhar.
Que paradoxo, minha cara!
Eu sorrir, do teu chorar,
Não entendo a linguagem
Da tua angustia falar.
Chega,...não precisa mais,
Da lágrima, o incontido pranto
Foi pra mim como um encanto
Que eu entendi muito mais.....
Do submundo aos mistérios,
A língua dos animais.
Liberta estás, podes ir...
Vai seguir os teus caminhos,
No embalo leve dos ventos,
Carregue os teus intentos
Na construção dos teus ninhos.
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Enéas Cândido Lara
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