Há....., quantas saudades tenho ao ver este fogão de lenha! Lembro-me da D. Maria, minha tão saudosa mãe, a qual pilotava com maestria no preparo de comidas tão saborosas que somente ela sabia fazer. E nos dias frios de Inverno, nós sentávamos envolta do fogão para nos aquecer. Ali, tinha sempre preparado um bule de café, de vez enquanto pintava um bolo de fubá, um bolinho de chuva, pipoca, pé de moleque, batata assada.... para saborearmos . Recordar este tão emocionante pedaço da minha vida, é algo que não tem preço. Eu lembro de como fui um garoto livre e solto a viver com toda intensidade a minha infância, das brincadeiras no terreiro em noites enluaradas, do pega- pega, do jogo de futebol, do nadar na represa perto da minha casa etc.... etc.
O lindo poema abaixo, tem muito a ver de como foi a minha infância. Saudades que nos faz agradecer a Deus por todas as bençãos que graciosamente recebi na minha vida.
O lindo poema abaixo, tem muito a ver de como foi a minha infância. Saudades que nos faz agradecer a Deus por todas as bençãos que graciosamente recebi na minha vida.
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência
Como perfume a flor;
O mar é- lago sereno,
O céu- um manto azulado,
O mundo- um sonho dourado,
A vida- um hino de amor.
Que aurora, que sol, que vida,
Que noite de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
A lua beijando o mar
Oh! Dias da minha infância!
Oh! Meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as caricias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
-Pés descalços, braços nus
-correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira mar;
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar!
Aut. Casimiro de Abreu

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